TECNOLOGIAS SUSTENTÁVEIS APLICADA EM AMBIENTES ARQUITETÔNICOS E DECORRATIVOS RENOVÁVEIS
Ariane Muracami
Arquitetura e Urbanismo
Resumo:
Artigo de revisão literária que descreve o uso de materiais sustentáveis e materiais de reaproveitamento, feitos para utilização do conhecimento artístico não apenas das classes altas, mas também das menos favorecidas em relação ao conhecimento e percepção. Por meio da análise o artigo discorrerá sobre, a forma de angariar produtos que perderam o valor de uso e consumo, porém, que possam ser inseridos aos padrões sustentáveis e tecnológicos atuais nas residências. É uma forma de demonstrar a capacidade de reaproveitamento dos artesões conforme a classe social e o tipo de recurso que foi confeccionado o material tornando-o acessível aos padrões vigentes.
Palavras-chave: Reaproveitamento, Artesão, Sustentabilidade, EcoDesign, Materiais, Blogs, Reconhecimento e Criação de Objetos.
Introdução
Antigamente, os utensílios e ‘bugigangas’ possuíam uma vida útil maior se comparados ao de hoje, porém não se pode pensar que os produtos atuais não são de qualidade. Quanto maior a facilidade de se adquirir bens, mais desvalorizado se tornam os artigos tidos por ‘fora de linha’, mesmo que estes ainda possam ser utilizados. Fato que um objeto de consumo além de estar relacionado à moda, ele está realmente envolvido a séries de fatores psicossociais, como o desejo de ter, o status, a fama e a sensação de poder que a pessoa imagina adquirir em relação ao resto da sociedade ou ao grupo social que pertence. Não se pode pensar que o consumo não consiga ser conciliado com o reaproveitado, por meio de ajustes sustentáveis que possam auxiliar àqueles que não sabem e não tem bens, ou seja, além de apreender, criar e reformar, a pessoa torna-se consciente de um ideal que está se estabelecendo cada vez mais.
Atualmente os recursos tecnológicos vêm sendo fonte de comunicação rápida, as pessoas começaram a se envolver em séries de grupos de relacionamentos, onde, muitos deles têm por ideal não apenas o desenvolvimento de vínculo pessoal, mas o de uma relação profissional e cultural, buscando assim metodologias para o reaproveitamento de materiais.
A sustentabilidade não está somente ligada ao universo verde, mais do que isto, ser sustentável é pensar que o que já perdeu o valor comercial pode ser recuperado de forma a ser reproduzido tanto por classes sociais vulneráveis, como pelas classes mais favorecidas, porém o que vêem a ser discutido é a metodologia e aplicabilidade de demonstrar a simplicidade dos materiais e enriquecê-los artisticamente.
1 Manufatura – Conteúdo Histórico
O sistema de fabricação manufaturada, nada mais é que grandes quantidades de produtos fabricados de forma padronizada e em série se utilizando apenas as mãos. Com a Revolução Industrial, passa-se a utilizar máquinas á vapor, tirando à instabilidade da produção a mão para a fabricação de forma mais rápida e em menor tempo.
Apesar das máquinas, a manufatura teve como característica marcante a produção em série (etapa por etapa), cada trabalhador tinha uma função (MALDONADO, 2006).
Com os avanços das tecnologias em máquinas, entre 1765 a 1793, foi um período marcado por invenções, onde a máquina passa de condensação para descaroçamento, tudo isto para aumentar sua produtividade em menor tempo. Quer dizer, nesse período os artesãos perderam seu prestígio, pelas máquinas que faziam seus trabalhos rapidamente.
É um período bem contraditório onde a arte feita a mão, não deixa de ser necessária para tal evolução, porém, esta análise não é feita em relação às máquinas e sim pela realização e percepção artística do artesão, escultor, design e arquiteto. O que ele cria é único, passou por etapas e tem seu valor não apenas financeiro mas também sentimental pelo objeto.
2 Duchamp – Influenciador, Artista e Criativo
Precursor da Arte Conceitual, o francês e boêmio Marcel Duchamp (1887-1968), que gozou artisticamente no cenário europeu. Pintor dos estilos Impressionista, Expressionistas e Cubista, gostava da idéia de movimento contínuo, figuras humanas, e sobreposições.
Como escultor, conseguiu sua grande fama em Nova York, onde acha a Arte Dadaísta; trabalhou com vidro sobreposto; com imagens abstratas; muitas de suas obras foram feitas de cabides, tecidos e outros materiais, ou seja Duchamp utilizava qualquer material que achava e transformava-o em uma arte conflitante, tornando a discussão e a percepção do observador mais aguçada nessa época.
2.1 Ready Made
O Ready Made é o transporte de um elemento da vida cotidiana priorizando o não reconhecimento artístico. A partir da brincadeira entre Francis Picabia e Henri- Pierre Roché, Duchamp passa a incorporar materiais de uso comum em suas esculturas, uma vez feito e terminado, ele exibia como arte, um exemplo é a Figura 1 – “Fonte”.

Figura 1 – “A Fonte”, de Marcel Duchamp
Fonte: BENÉVOLO, História da Arquitetura Moderna (2004)
A obra que fez repercutir o nome de Duchamp ao redor do mundo - especialmente depois de sua morte. Anteriormente Duchamp, não utilizava seu nome assinava como “R. Mutt”, sendo muito criticado e julgado pela obra em sua época.
Duchamp deixou como legado, as experimentações com o Dadaísmo, Surrealismo, Expressionismo Abstrato, Arte Conceitual e outras. Foi considerado “pai” e influenciador de outros artistas (ARGAN,1992).
3 Arts & Crafts – Defesa do Artesanato
Arts & Crafts, vêm de artes e ofícios, movimento estético surgido na Inglaterra, na metade do século XIX. Defendia o Artesanato criativo como alternativa à mecanização em massa da Revolução Industrial, que extinguiu os artesãos e artistas, sendo que apenas mais tarde esses últimos passaram a ser considerados designers.
Essa ideologia surgiu com o romântico John Ruskin e o socialista e medievalista William Morris, que lutavam pelo conceito de ‘fazer você mesmo’, já que a máquina tinha retirado toda a função artística de um artesão, privando-o de seus lucros. Dessa forma a influencia do Arts & Crafts em sobreposições na utilização de papéis de paredes, em formas de um ensino, acabou impulsionando o movimento francês Art Nouveau, que é considerado a raiz do modernismo, design gráfico, desenho industrial e arquitetura.(BENÉVOLO, 2004)
De acordo com Tomás Maldonado, o Arts & Crafts foi uma importante influência para o surgimento da Bauhaus, que assim como os ingleses do século XIX, também acreditavam que o ensino e a produção do design deveriam ser estruturados em pequenas comunidades de artesãos-artistas, sob a orientação de um ou mais mestres. A Bauhaus desenvolveu, assim, uma produção de objetos feitos por poucos e adquirido por poucos, nos quais a assinatura do artesão tem um valor simbólico fundamental. De forma ampla, a Bauhaus herda a reação gerada no movimento de Morris contra a produtividade anônima dos objetos da revolução industrial.
4 Arquitetura Sustentável
Esse movimento surgiu no final da década de 2000 e concentra-se na criação de uma harmonia entre o processo de construção, o meio ambiente e a obra final. Esta pretende evitar em cada um dos passos de execução, agressões desnecessárias para o ambiente, otimizando os processos de construção, reduzindo a formação de resíduos, e diminuindo o consumo energético do edifício. Tem ainda como objetivo a construção de ambientes que possuam conforto térmico e que a qualidade do ar seja adequada, reduzindo assim a necessidade de utilização de sistemas de ventilação ou aquecimento.
Outro fator importante é a prevenção do consumo desnecessário de água e energia, podendo se verificar pelos inúmeros recursos e equipamentos desenvolvidos para tal aplicação, como sensores, temporizadores, aquecedores solares, que otimizam a qualidade e a diminuição de consumo destes elementos pela população, com esses mecanismos ecológicos tornou-se possível conciliar design e meio ambiente, originando o ideal amplamente difundido atualmente, o consumo “ Verde” (OFCA, 2010).
Cada vez mais forte, uma vez que, movida pelo modismo coletivo de sustentabilidade, a conscientização da população (que não pensa mais apenas em só consumir, as construções com blocos cerâmicos feitos de adobes, a grande questão das moradias alternativas – parte estrutural, funcional e decorativa – séries de fatores que levam não apenas à renovação e ao aproveitamento), se faz crer que ao se produzir um ambiente com benefícios, o retorno é o conforto e a valorização do mesmo e da ideologia que foi aplicada.
5 Descobrindo o talento
Para identificar um artista nato, que busca na veia social, as aplicações e os meios de consumo acessíveis, ele pode ser de fato considerado um modelo a ser seguido, pois o processo de criação nem sempre é lucrativo, a finalidade de reciclar ainda não é compreendida por inúmeras pessoas, que a estigmatizam associando-a a “pobreza”. De fato, o artista para ser reconhecido deve criar um meio de comunicação com o consumidor alvo utilizando ferramentas disponíveis como sites, blogs, divulgação em revistas especializadas, ou pelo método mais eficaz, porém complexo, que é o desenvolvimento de uma Marca própria, que nada mais é que o reconhecimento profissional do artista pela população.
A vida de muitos artesãos é parca, ou seja, não possuem recursos para tal desenvolvimento, o que faz da fala a maneira mais prática de comunicação com seus possíveis consumidores, o poder argumentativo em se provar a qualidade do produto além de sua utilidade, se torna imprescindível no cotidiano desses, pois o que eles propõem são soluções aos problemas das residências.
Atualmente um pequeno grupo, vem se destacando pela internet, buscando conscientizar a população sobre ideologias sustentáveis, exemplos destes grupos são o Coletivo Verde, o Instituto Ecotece e a Cenografia Candotti, ambos buscam através da visão alternativa e da valorização um mundo melhor, refletindo em um impacto positivo social, onde demonstram maneiras e formas de se criar, além de fóruns onde são debatidos assuntos a cerca do âmbito da preservação do meio ambiente através de hábitos sustentáveis, modificando assim o comportamento destes, em relação a sua participação dentro da sociedade.
O solucionar, relacionado em se utilizar qualquer refugo e transformá-lo em arte, sem haver necessidade de sair da residência para se comprar um produto que possa ser fabricado por qualquer pessoa de qualquer idade, ainda é algo pouco praticado devido ao comodismo que a compra proporciona, devendo-se levar em conta que produtos de origem reciclada tem seu preço maior se comparado a um similar industrializado, pois o primeiro passa por diversas etapas para o seu beneficiamento até ficar pronto, o que de fato lhe encarece.
6 Material versus EcoDesing
Todo material de construção excedente geralmente é guardado ou jogado fora, o que faz com que sejam desperdiçados, sendo que a melhor solução para diminuir a produção de refugo no setor da construção civil, é a doação deste material. Este comportamento de guardar objetos sem utilidade funcional se deve ao valor sentimental que as pessoas desenvolvem pelo objeto, então o desapego se torna difícil.
Um designer, arquiteto ou artesão sustentáveis criam objetos de decoração e soluções arquitetônicas a partir do refugo doméstico ou da indústria civil, para tal, estes procuram por qualquer material, de preferência por improváveis, àqueles que teriam por função o oposto do que os primeiros propõe após sua manufatura. Estes materiais por vezes não permitirão a criação de objetos ou estruturas dentro da própria construção com acabamento perfeito, mas este, por vezes, não é o foco do criador e sim demonstrar outra funcionalidade ao material escolhido.
É possível achar em lojas de departamento que confeccionam produtos sustentáveis, que nem sempre sua produção é realmente ecologicamente correta, no mercado mundial há apenas cerca de 10% das empresas que tem toda sua fabricação retornável e ecologicamente correta, muitas das outras empresas compram apenas “pontos verdes” (reflorestam, usam materiais reciclados, mas isso não corresponde a totalidade da produção), então o conceito se perde um pouco, ou seja, a procura por estes produtos é tanta que as empresas fazem de tudo para manter a oferta de produtos que transmitam os conceitos de sustentabilidade, mas acabam perdendo parte do ideal.
O que se deve entender é que nem sempre buscar recursos tecnológicos trás satisfação ao consumidor, uma vez que, devido à conscientização, cada vez maior, da população em relação à esfera da sustentabilidade, do ecodesign, da confecção de objetos reciclados ou restaurados, fornece uma idéia do futuro da arquitetura, urbanismo e design, ou seja, as próximas gerações terão maior noção sustentável aplicada, diferentemente do conhecimento ou da idéia, que é referenciada dos dias de hoje.
O que se deve entender é que nem sempre buscar recursos tecnológicos trás satisfação ao consumidor, uma vez que, devido à conscientização, cada vez maior, da população em relação à esfera da sustentabilidade, do ecodesign, da confecção de objetos reciclados ou restaurados, fornece uma idéia do futuro da arquitetura, urbanismo e design, ou seja, as próximas gerações terão maior noção sustentável aplicada, diferentemente do conhecimento ou da idéia, que é referenciada dos dias de hoje.
Portanto, o conceito “Faça você mesmo!”, nada mais é que uma forma de solucionar a falta de opções e recursos de quem não tem como gastar com decoração e soluções arquitetônicas, tendo como objetivo a economia e a funcionalidade do material.
7 “Faça você mesmo”
Após achar os materiais a serem utilizados, estes passam pelos processos de separação, determinação da função de cada um dentro da confecção do novo objeto, com isso é possível saber para que este servirá, se de forma decorativa ou visando alguma funcionalidade, e por fim a própria confecção do objeto (CANDOTTI, 2010).
Analisando o objeto recuperado da Figura 3, divulgado pelo blog “Só o que eu gosto”, observa-se uma penteadeira antiga que foi restaurada pela técnica do craft, além de cores vibrantes. Um dos detalhes que devem ser comentados são os puxadores que não são os mesmo, as gavetas também não possuem a mesma estampa. Desta forma a técnica utilizada na restauração do móvel assemelha-se ao Art & Crafts, que utilizada papéis de parede como revestimento, atentar para a comparação do antes e depois verificada na Figura 4.

Figura 3 – Detalhes da penteadeira
Fonte: LEE, Maya; Blog “Só o que gosto” (2010)

Figura 4 – Comparação entre o antes e o depois
Fonte: LEE, Maya. Blog “Só o que gosto” (2010)
Outro exemplo básico de reaproveitamento de um objeto em criação de outro, seria o verificado no caso da Figura 5, que mostra um escovão que será utilizado na criação de um porta-cartas, onde além de empregar várias cores, ele trás um aspecto alegre e divertido para quem enxerga, não imaginando que aquele objeto colorido era um antigo escovão que foi cortado e pintado. Provavelmente, essas hastes coloridas colocadas nos furos como mostram a Figura 6, é de biscuit, material não muito caro, porém necessita técnica para seu manejo.

Figura5 – Preparo do Escovão
Figura 6 – Encaixes e Cores

Figura7 – Finalização do Porta-Cartas
Outro exemplo prático é do blog “Coletivo Verde”, onde mostra na categoria de Produtos Ecológicos, como reaproveitar uma antiga geladeira ou um freezer, que não tem mais funcionalidade, de uma forma alternativa e divertida, associando Ipod, resgatando um pouco o estilo retro.
No post que NEGRI fala do designer canadense Adrian Johnson, que reutiliza refrigeradores e bancos de carros para criar sofás únicos e divertidos. No modelo da foto acima ele utilizou uma geladeira de 1980 para ser a estrutura do sofá e para o estofado ele utilizou um banco traseiro de um BWM 535i de 1988, sendo observada na Figura 8.

Figura 8 – Geladeira Sofá
Fonte: INHABITAT & TRENDHUNTER. Blog “Coletivo Verde”, EcoDesign (2010)
8 Considerações finais
Ao imaginar uma relação entre o sustentável e o não sustentável, deve-se considerar o desejo em adquirir bens de consumo que proporcionem melhorias na qualidade de vida, trazendo assim conforto e beleza ao ambiente, que muitas vezes se confunde com arte interpretável na percepção do observador, sendo assim agradável ou não a este.
Ao se pensar na produção manufaturada, que perdeu grande parte da força no período da Revolução Industrial, voltou aos poucos com a Arts & Crafts, Art Nouvea, Art Decó, nos anos 70, voltando a se perder novamente com a revolução Tecnológica. Mas apenas no século XIX, que as pessoas voltaram a acreditar e fazer com maior ênfase produtos que não prejudiquem o meio ambiente e que possam ser produzidos em casa e não apenas em uma fábrica de produção em escala.
As pessoas buscam materiais únicos, cujas referências artísticas possuam em sua característica particular expressar uma sensação de realização e transformação criativa, de certa forma os designers, arquitetos, escultores, artesãos, tem como preferência simplificar o cotidiano e as angústias causadas pelo comodismo, fazendo uso do prático e funcional procurando sanar estes problemas.
É fato que a maioria dos sites, blogs, revistas e artigos especializados, incentivam as criações, ensinando e motivando a criação de artigos nas residências, provando que não se faz necessária uma quantidade substancial de renda para tal.
Portanto, para se provar a simples capacidade artística precisa-se criar, nenhum artista consegue ser referência, incitar motivações e realizações sem criar, ele necessita e precisa se sentir bem e inspirado, mesmo que este reproduza uma cópia, por exemplo, esta nunca será igual de quem criou a original já que a característica da personalidade de cada um se reflete na obra, então quem reproduz, é considerado artesão, mesmo não tendo uma formação formal.
Referências
ARGAN, Giulio Carlo. Arte moderna. São Paulo: Cia das Letras, 1992.
BENÉVOLO, Leonardo. História da arquitetura moderna. São Paulo: Perspectiva, 2004.
CANDOTTI. O Selo Sustentável. Postado em 21 de outubro de 2010. Disponível em , acesso em 28 de Outubro de 2010.
COLETIVO VERDE. A situação existe, mas o que nós consumidores podemos fazer. Postado em 17 de outubro de 2010. Disponível em <http://www.coletivoverde.com.br>, acesso em 28 de Outubro de 2010.
FPEREZAJATES. Escovão. Postado em 23 de outubro de 2010. Disponível em >, acesso em 28 de Outubro de 2010.
INHABITAT & TRENDHUNTER. Transformando sua geladeira em sofá. Postado em 27 de Outubro de 2010. Disponível em <http://www.coletivoverde.com.br>, acesso em 28 de Outubro de 2010.
LEE, Maya. Da penteadeira. Postado em 25 de Outubro de 2010. Disponível em >, acesso em 28 de Outubro de 2010.
MALDONADO, Tomás. Design industrial. Lisboa: Edições 70, 2006.
OFCA. Desenvolvimento Sustentável. Postado em 25 de Outubro de 2010. Disponível em <http://www.ofca.com.br>, acesso em 28 de Outubro de 2010.
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